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sábado, 12 de abril de 2014

O que são e como funcionam as carências dos planos de saúde?

Muitas pessoas, quando nos ligam, dizem ter a informação de que o plano de saúde não pode mais ter carências; outras acreditam que por estarem vindo de outros planos de saúde serão isentas de todas as suas carências; outros ainda se revoltam com os prazos estipulados pelos planos de saúde.

Também não é raro recebermos ligações de gestantes que querem fazer o plano para garantir o parto e acabam perplexas ao saber que a carência, para esse procedimento, é de 10 meses. Há ainda as que querem adiantar as parcelas do plano para ter a cobertura.

No entanto, antes de prosseguir, vamos entender o que são carências. Chamamos de carência o período estipulado pela operadora ou seguradora durante o qual o usuário pagará suas mensalidades sem ter direito a utilização de certos procedimentos. Digo estipulado pela operadora ou seguradora, pois, embora a Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) regule o tempo máximo dessas carências, são as operadoras/seguradoras que determinam o período dentro desse limite; um bom exemplo disso é a carência máxima estipulada pela ANS de 6 meses para consultas e exames simples, que normalmente são disponibilizados após 30 dias pela maioria dos planos de saúde, ou mesmo em 24 horas, por algumas.

É preciso entender que, apesar de tratar-se de saúde e cuidados com a vida, não podemos esquecer que estamos fechando um contrato, ou seja, existe a relação comercial entre o usuário e a empresa, que por sua vez objetiva obter lucro, caso contrário não teríamos nenhum plano ou seguro saúde no mercado.

Olhando por esse prisma, fica mais fácil compreender tudo que trato aqui. Você deve pensar num plano de saúde, como um seguro, isto é, como uma garantia de cobertura em uma eventual utilização, ou digamos, em uma possível situação de risco. Assim, não devemos pensar no plano de saúde como a solução para o pagamento daquela cirurgia ou daquele tratamento que estamos precisando e não temos dinheiro para custear.

Ao contratamos um plano de saúde sem a necessidade imediata de sua utilização, podemos aguardar os prazos estipulados, podemos iniciar tratamentos e até fazer a prevenção; é como muita gente nos diz “Pago pra não utilizar”. Mas, quando fazemos o plano pensando na cirurgia ou no tratamento, os prazos se tornam longos demais.
Vamos fazer uma análise fria da situação? Você consegue fazer o seguro de um carro que já está batido, ou que já tenha sido roubado? Antes de me chamar de frio e insensível, saiba que nesses 17 anos atuando no mercado de saúde, conheci e sofri com muitas pessoas, em diversas situações e, hoje, recomendo: “Faça um plano de saúde pensando na manutenção da sua saúde” e “Faça um bom plano de saúde”.

Fazer um bom plano de saúde é muito importante. Quantas vezes você comprou algo só por que era mais barato e depois se arrependeu? Existem maneiras de reduzir as mensalidades de seu plano de saúde, mas com certeza uma delas não é abrir mão de uma boa operadora ou seguradora. Procure saber sobre a abrangência de seu plano, se nacional ou regional, quais hospitais ele atende, quais você quer, tudo isso irá influenciar no preço de sua mensalidade. Abrindo mão de alguns privilégios você ainda pode ter um bom plano de saúde e pagar menos. O mais importante, penso eu, é não cair naquele corredor onde nem reclamar é possível.

No meu dia-a-dia, ao perguntar a algumas pessoas: “Você tem algum problema de saúde ou faz algum tipo de tratamento no momento?”, elas respondem: “Claro. Por isso, quero fazer um plano.”

Nesse caso, o usuário terá que esperar até 24 meses para ter a cobertura desejada, isso se ele for aceito no plano de saúde.

Será que isso é justo? Alguns me perguntam. Eu digo, “Não se trata de justiça, se trata de contrato, de um negócio entre você e uma operadora de saúde”.

Mandem suas dúvidas sobre planos de saúde, farei o possível para responder a todos.

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